Páginas

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Quem liga para o Haiti?

Quando a terra tremeu no Haiti eu não senti nada. Talvez raiva... da chuva, em São Paulo. Aí vieram as notícias, volumosas. De repente descobri que duas vezes o número de habitantes de Timóteo (a cidade em que cresci no interior de Minas Gerais) estavam sob os escombros. Entendam: pelo Haiti, nada, mas pela comparação com algo tão próximo a mim, tudo. O calafrio de me imaginar deitado na cama e no minuto seguinte esmagado por cimento e ferro retorcido, ou de longe ter de torcer pelo resgate de quem tanto amo... nossa, apavorante!

Haitianos sempre morreram e aos montes. De fome, na infindável guerra civil... Ok que eles ainda não tenham se acostumado com a ideia. A novidade (boa?) é que dessa vez, finalmente, conseguiram comover os estrangeiros que a situação por lá é mesmo terrível.

Os interesses são todos escusos e o que sobra é demagogia, assistencialismo ineficiente. As toneladas de alimentos que tentam chegar no aeroporto de Porto Príncipe aguardam em uma fila de espera enquanto sobreviventes se estapeiam nas ruas por doações, fugindo é claro dos sprays de pimenta de soldados despreparados para lidar com o caos urbano instaurado. Quem liga mesmo?

Desculpa se não me sinto estremecido pelo Haiti ou se não sofro com as suas mazelas. As coisas são assim mesmo. A terra treme, chove e as ruas alagam. Cada um sofre com a realidade do seu entorno e eu, de guarda-chuvas, não me satisfaço com essa utopia toda de querer salvar uma ilhota com cinco quilos de alimento ou um agasalho velho.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

PER.FEI.TO ponto final

"Seu livro não é bom Douglas, ele é PER.FEI.TO.
Se nao é o melhor que ja li, é com certeza o 2º no maximo! O final é INCRIVEL...nossa amei demaais. PARABÉNS, primo! Quando soube que você tinha escrito um livro, pensei 'será que é bom'? Repleto de curiosidade, bastou ler as primeiras páginas para já abrir um sorriso e ser envolvido pelo mistério. É perfeito, cara! Não desista NUNCA, porque o livro é otimo e venderá bem se Deus quiser".
Tulyo Pereira, 17 anos


"Tulyo,
O livro do seu primo é muito bom ! Eu não consegui parar da ler, porque me fez pensar muito no que ia acontecer a cada novo capítulo! E o final do livro foi uma coisa inesperada... eu adoro quando os finais não ficam óbvios, escancarados no começo! Parabéns ao seu primo Douglas ! O livro tem tudo pra fazer o maior sucesso! E espero que tenha o 2º! Parábéns! Amei, amei, amei muuuito! E obrigada por ter me passado! Assim que lançar eu vou comprar! Bj, Emily Camila"


Quem sou eu para dizer o contrário, não é? A Garota que eu Perdi já é um sucesso... Pelo menos para mim, para o Tulyo, para a Emily e meia duzia de outras pessoas importantes que já leram.
E pelas mensagens acima, quando eu finalmente tiver editora e puder vê-lo nas livrarias, duas vendas já estarão garantidas. Obrigado, meninos!

;)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Tenho novos vizinhos

Os mendigos tomaram uma calçada vizinha a minha e é claro que estou incomodado. Agora tenho que andar na rua disputando espaço com carros, motos e bicicletas. O risco é meu, eu sei, mas é que fui educado a nunca entrar na casa dos outros sem ser convidado. Logo, se a calçada foi transformada em quartos, salas e banheiros, só me resta ser coerente com tudo aquilo que aprendi.

É assim que o sistema funciona: a prefeitura sempre empurra o lixo para debaixo do tapete. Por aqui, montaram um forte esquema de policiamento em uma praça ao lado e expulsaram os moradores de rua que lá viviam. Não deu outra: Feito pombas, uma praga, escolheram um outro espaço para fixar moradia, e advinhem só, bem no meu caminho.

O que eu não entendo é que a maioria deles ficam à mercê das intempéries por livre e espontânea vontade. Gostam das calçadas esburacadas, do mal cheiro, das roupas imundas, da cara feia de terceiros. Negam o auxílio da prefeitura - que disponibiliza abrigos até onde eu fui informado - e ainda têm a cara de pau de exigir um trocado a quem ousa atravessar por seus cômodos, uma pedágio diga-se de passagem injusto visto o estado deplorável em que deixam as ruas.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Presentão de natal

"No meio do feriado do Natal tive que te escrever... É que aconteceu uma coisa interessantíssima comigo. Recebi aqui em casa, no dia 24/12, emprestado de um amigo, um livro. E durante o Natal, li esfomiada as 219 páginas. Acabei ontem (26), às 12h.

Meu querido, 'A garota que eu perdi' é legal DEMAIS! Adorei e fiquei realmente impressionada com o mistério, com o romance, com os personagens, com você! Já sabia que era bom escritor, mas um romance... Coisa pra poucos... E bom assim! Me fez chorar e rir, de verdade, sem exageros! E eu com minha atenção difusa, só consigo ler rápido assim o que é muito bom, pois o normal são 5 livros de uma vez, cada hora um pedacinho de cada um. O seu conseguiu me parar!

Parabéns, de verdade. Apesar da leitura penetra, tive que comentar. Me perdoe a intromissão e guarde os elogios, pois são sinceros. Muito sucesso para você!"
Paula Cláudio Jácome
http://www.chaentreamigas.com.br

Vem cá... eu ainda preciso comentar?
Obrigado pelas palavras de incentivo, Paula!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Eles vieram para a festa

Eu não acreditava no que via, estavam todos ali.

- Que bom que chegou, Douglas.
- Ana?
- E quem mais poderia ser, chefinho? – perguntou uma outra garota me ajudando com o casaco.
- É que... mas como?
- Acalme-se. Apenas aproveite sem movimentos bruscos ou estresses. Você não quer acordar e perder tudo o que preparamos para você, não é mesmo?
- Desculpa, você é...
- Eu falei que essa ideia era uma perda de tempo, pessoal. Ele não conhece seus próprios personagens. Que merda de criador nós temos.
- Não fale assim, Phil. Ele está apenas confuso com tudo isso.
- Deixa comigo que eu te explico tudo. Meu nome é Bela e caso ainda não tenha notado isso não é apenas mais um sonho. Sim, somos todos seus personagens, reunidos em um cenário que tem elementos de cada uma de suas invenções. Lembra desse quadro? Dessa mesa? E essa máquina fotográfica?
- Vocês são todos meus personagens? – perguntei ainda descrente do que acabara de ouvir.
- Alguns bem antigos, outros nem tantos. Alguns geraram histórias fantásticas, outros pequenos rabiscos, mas estamos todos aqui, juntos, com você.
- Isso é uma loucura...
- Isso é um sonho. E logo você vai acordar desejando que tivesse a chance de perpetuá-lo. Mas logo esquecerá de tudo e voltaremos para a fantasia a que pertencemos.
- Ou seja, muito esforço para nada. O que estou fazendo aqui mesmo?
- Você deve ser o Phil...
- Venha, Douglas. Não ligue para o que ele fala. Você mais do que ninguém sabe como ele é.
- Advinha o que preparamos para o jantar?
- Betty? É você?
- Sim, sou eu, mas não fiz tudo sozinha. A Frida me ajudou com a torta de maçã e a Florence com os assados.
- Hmmm, torta de maçã. Teremos torta de limão também?
- Doug Spencer?
- Prazer em te conhecer pessoalmente - disse me abraçando com força - Sam, Matt... vocês não vão acreditar! Nós usamos o mesmo perfume!

Esta aí parte do que eu lembro. Já no fim da festa, antes que acordasse sedento por um copo d’água, caminhei até a poltrona e me sentei ao lado de Ana Griebler e Estela, a garota que havia me ajudado com o casaco.

- Vocês realmente me surpreenderam.
- Nada mais justo.
- Eu não sei nem como começar a agradecer pela companhia durante todos esses anos.
- Poderia então nos poupar de certar coisas, não é?
- Quanto a isso pode ficar tranquila, Ana. Sei que peguei um pouco pesado com você, mas posso garantir que...
- Xiii.... não fala. Eu adoro esse mistério todo em torno da vida dela. Se você contar perde a graça.
- Está certo, Estela. Ana, posso te perguntar uma coisa?
- Claro, Douglas. Embora você já tenha todas as minhas respostas, será um prazer confirmá-las.
- Você pressentiu algo aqui essa noite? Digo, com clarões, tremedeiras, choques, desmaios?
- Fique tranquilo, meu amigo. Nós não te abandonaremos jamais!
- Não mesmo – reforçou Estela.

De repente estávamos todos em volta da mesa. Doutor Jefferson estendeu a taça de espumante lá no alto e disse:

- Desejamos a você nesse próximo ano, dois mil ideias!

Foi assim. Será assim.
Dois mil ideias, pessoal!
;)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Apocalipse

Ô gente,

O pai que solta a filha pela janela; a filha que planeja a morte dos pais; a mãe que joga o recém-nascido num saco plástico corrego abaixo; o padrasto que enfia 50 agulhas em todo o corpo do enteado...

Salve-se quem puder. É o fim da picada.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A hora agora

Eu olhei no relógio e me esforcei para entender as horas. Nunca fui bom com ponteiros, assumo, mas não se nega um presente daqueles, muito menos o abandona no fundo de uma velha gaveta. O objeto tinha seu valor e, no meu braço, ostentava muito do pouco que eu intencionava ser. Ele é a urgência de um dia cada vez mais atarefado e me mostra, com precisão e pontualidade londrina, que ainda há tempo para muita coisa.

Gosto de observar o tempo passando em pequenos solavancos, naquelas três velocidades. Acho uma chatice não poder segurar esses breves segundos de contemplação. Tempo mano velho, me ensina a te domar? Ando relapso com esse blog, mais ainda com o Onbuddiesman... falei que começaria o meu segundo livro, que escreveria sobre tudo e mais um pouco. E aí? Nada! Tudo isso já é passado e a sensação é de que o presente me escapou pelas mãos, antes mesmo que eu pensasse nele. De qualquer modo, o futuro me gera desconforto, mas ainda é uma boa escapatória em que posso confiar. Ufa!

Ficam as lembranças e sobra esperança por um 2010 ainda mais cheio de realizações - e naturalmente mais corrido. Não posso reclamar: como disse em um post passado, as coisas simplesmente...ACONTECERAM. E tudo isso é apenas o começo, porque no meu pulso, o meu relógio continua a sua jornada sem parar jamais.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Rego de Freitas

Eu e Rita ficamos observando ela, amarrotada, ajeitando a prótese de silicone sob o extravagante sutiã de renda. Jogou o cabelo de lado e puxou a imensa mala de rodinhas, comprometendo o insinuante rebolado enquanto caminhava. Okay, tinham os imensos sapatos salto 15, tipo agulha, e a calçada esburacada que não ajudavam muito.

- Uau, como ela aguenta? - exclamou Rita, incrédula.
- Não sei, mas ele aguenta. - respondi.

Os traços masculinos forçadamente escondidos em uma maquiagem pesada e o cabelo negro, ralo e crespo, liso e loiro, artificialmente óbvio. O gogó protuberante, as pernas mal depiladas, o braço peludo descolorido. O que ela esperava de São Paulo? Por que seus olhos brilhavam tanto?

Fomos preconceituosos, assumo. Não pelo que ele era, mas por aquilo que ela poderia fazer. A imaginamos parada em uma esquina qualquer se vendendo por alguns trocados. Mas que valor ela teria? Fizemos um cálculo rápido, simples. Materialistas!

- Certeza, amigo! Ela passará fome...
- Talvez.
- Ou ela vai viver, bem, você sabe... Sem nem cinco minutinhos para café da manhã, almoço ou jantar.
- Que maldade!
- Sim, a ela e aos outros. Que maldade de vida!

Talvez ela tenha percebido nossos olhares. Fomos indiscretos, invasivos, maldosos. Ela não deu a mínima e, antes que entrasse no táxi, amassou o chiclete velho com a ponta dos dedos e jogou bem nos nossos pés. Sem carolice, mas uma imundice.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Segunda chance

Há tempo para tudo e, contudo, não há tempo para nada. Temos que ser pacientes, temos que nos movimentar. Temos que esperar e fazer acontecer.

Não sei se paro, não sei se corro, na dúvida espero, em marcha lenta. Evito assim choques bruscos, colisões fatídicas. Evito ser ultrapassado por todos. Não sou o coelho, tampouco a tartaruga. O que eu sou? O que nós somos?

Seja você mesmo, não se esponha em demasia. Chore, mas sem soluçar; sorria, mas sem gargalhar; viva, mas sem viver... mais ou menos por aí? Pedem moderação, exigem atitude. Acostumamos a ser incoerentes e dúbios, adaptáveis para os otimistas. Dançamos conforme a música, esperamos pelo grande momento e não suportamos a ideia da vaia. Precisamos do aplauso, do bis.

Dá para começar tudo de novo? E se desse? O que faríamos? Em que iríamos nos contradizer?

domingo, 29 de novembro de 2009

Mais uma resposta por email

"O livro 'A GAROTA QUE EU PERDI' é envolvente, intrigante, com ótima narrativa. A riqueza de detalhes nos transporta à história, nos fazendo sofrer com Ana, a personagem principal. O final é surpreendente... assim como todo o livro. Controlar a ansiedade de ler a continuação com certeza é a pior parte... Consigo visualizar muito sucesso pela frente!"

Cris, 29


Eu preciso falar mais alguma coisa ainda? Obrigado, Cris!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Antes só ou mal acompanhado?

- Você tem certeza que espera encontrar a “pessoa certa” no meio de uma pista de dança?

Emudeci. Ele, meu amigo, tinha plena razão e, agora diante de algo tão óbvio, só me restava perguntar o porquê de eu nunca ter percebido isso antes. Odeio comer mosca, ainda mais quando as coisas são tão explícitas e descaradas.

Ao som dos cdjs não adianta a ilusão de um encontro casual, espontâneo. As pessoas estão ali com objetivos bem claros, e qualquer aproximação só se justifica por uma explosão carnal ou mesmo por um interesse não declarado em suprir a depressão momentânea causada pela embriaguez. No outro dia, sobram ressaca, bad e solidão. Cada um na sua, lutando arduamente para sobreviver!

Em uma atmosfera carregada por luzes coloridas e uma euforia induzida, não há espaços para anjos. Como esperar então que a flecha do cupido te acerte em cheio? Impossível! E antes que digam que isso é um texto descrente e frustrado de um mal amado: aprendi que me basto. Nunca me senti tão satisfeito pela incrível pressão provocada pelos dois conjuntos de músculos das minhas mãos. Vivo aventuras épicas, sou amante de estereótipos perfeitos e evito qualquer tipo e risco de exposição daqueles esquecidos dentro de quartos escuros, “matinhos”, banheiros, vapores...

Tenho medo da promiscuidade, da fornicação inconsequente. Mas isso ainda é pouco, perto do medo que tenho de me relacionar com certos tipos programados exclusivamente para o seu bel prazer.

Eu quero um namoro, não um divã. Não preciso de apenas mais uma companhia para as baladas. Quero me divertir com coisas simples e inusitadas, rir e me emocionar com pequenos gestos. Não quero me tornar um pai, o ditador, aquele que impõe regras. Espero o mínimo de maturidade, para que possamos crescer juntos. É pedir demais?

No fantástico mundo de Doug não tem cavalo branco, carruagem e outras tantas fantasias, mas me permiti sim idealizar um perfil responsável, bonito, inteligente e divertido. Mais do que isso para quê, não é?

Que fique claro: não estou a procura. Mesmo porque namoros assim não se “acham” ou “caçam”... eles simplesmente acontecem.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Case Geisy, o tamanho da vergonha

As atitudes tomadas pela UNIBAN no caso Geisy dão um belo case de como NÃO agir em situação de crise. Erros estratégicos infantis e grotescos do departamento de marketing, principalmente no uso da assessoria de imprensa, resultaram em uma sequência de ações que fogem totalmente das lições mais básicas ensinadas por Kotler e Armstrong.

Um overview rápido: Informação truncada, falta de posicionamento claro, omissão do reitor , expulsão da aluna, revogação da decisão três dias depois, etc e tal.

Cadê o corpo docente do curso de Marketing e/ou Jornalismo para uma assessoria imediata? Não posso acreditar que tem dedo de alguém da área em todo esse imbróglio. É tudo muito burro, incosciente, estúpido. Revela muito sobre a instituição (a essência dela, seus profissionais) que sempre teve a qualidade questionável e fama de caça níquel exposta na oferta dos inacreditáveis cursos à partir de R$ 199.

Expõe professores e administradores despreparados para os cargos que ocupam. Mostra que as atitudes de hostilização no incidente não foram tão absurdas... elas refletem exatamente aquilo que a instituição é e pensa. MEC, aproveite a oportunidade e avalie a ementa desses cursos e qualificação dos docentes... O mercado agradece.