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sexta-feira, 13 de março de 2009

Músicas do Ano

Foi assim: eu na pista super empolgado com o som que estava tocando. Compartilhei uma opinião: essa vai ser uma das grandes músicas do ano, candidata A MELHOR. Sim, tenho essa mania idiota de ficar rankeando as coisas... Eles riram, tiraram sarro e ainda usam sempre dessa minha exclamação como piadinha interna. Perceberam que tô BEM de amigos, né? Ninguém precisa concordar comigo, mas passou JANEIRO, passou FEVEREIRO e MARÇO tá aí, e quais músicas estão com tudo? Sandcastle disco, Long Distance, Get Up e agora Right Here e T.O.N.Y, o que faz com que eu me desculpe pela previsibilidade e mande todos a merda. Querem rir? A vontade. Vá para pista e quando escutar qualquer uma delas, lembrem-se de mim e do que eu disse naquela noite.
Sim, são grandes músicas e candidatas absolutas AO MELHOR REMIX DO ANO, colocando SOLANGE KNOWLES e BRANDY como queridinhas dos deejays mundo a fora. Dá um google, me pede no msn..., enfim, se vira e baixa. Vale muito a pena!

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sexo, dinheiro e poder

Quero saber a opinião de vocês quanto a mais uma posição radical do SUPERMAN, agora sobre todos nós humanos. Discussão travada e eu confesso que perdi um pouco o rebolado, não soube contra-atacar... É, não tive argumento que justificasse o meu ponto de vista e eu simplesmente ODEIO quando isso acontece.

A última dele é que tudo na vida se resume a três coisas: SEXO, PODER E DINHEIRO, não necessariamente nessa ordem. Isso sob a ótica dele que, diretamente envolvido com a política, já traz na personalidade aquilo que todo político tem de mais chato, a análise fria e calculista de quem acha que é o dono da verdade (geralmente descrente do lado bom).

Comecei a defesa do meu ponto de vista com um exemplo, o primeiro que me veio na cabeça: O João que mora lá no morro do Vidigal. Mas mal terminei de falar e caí na real: ele tem um ou dois "casos" na rua, é rei dentro do seu microcosmo (ele pode ter o poder na família, no morro ou não ter poder nenhum e ser subserviente a um outro), e pode ou não ter dinheiro (e fazer de tudo para consegui-lo, de roubar a matar... trabalhar também, é claro!).

Depois falei do Severino que mora no Vale do Jequitinhonha, nome e lugar escolhidos de forma bem pré-conceituosa, mais uma vez. O dinheiro é mais do que importante para ele que não o têm! É totalmente vítima do poder, que infringe sobre ele toda sua indiferença todo santo dia. Transa com sua mulher (um dos poucos prazeres que tem na vida sofrida que leva) e tem uma penca de filhos, que para não morrer de fome, reforçaram o sistema.
°
Falei da Amélia, dona-de-casa. Falei do Diego, estudante anárquico, de um assexuado qualquer e até de um hippie. Não adiantou. Seja ativo ou passivo em cada ação dessas três esferas gigantescas de poder, estamos atados sem qualquer chance de fuga.

Eu ainda não me convenci(na realidade, eu não quero me convencer) que seja tudo tão simples assim.

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Os Geeks do Brasil

Juro que o povo que transita pela Avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini durante o horário de almoço (12 - 14h) mais parece uma reunião de parte do elenco de "As gostosas e os geeks". Nunca vi tanto nerd por m²! 

As Gostosas e os Geeks (Beauty and The Geek)
Categoria:Comédia/Reality Show
O programa: Nove mulheres bonitas (e não necessariamente inteligentes) e nove homens inteligentes (e não necessariamente bonitos) passam algumas semanas dividindo a mesma casa, com o objetivo de trocarem experiências e aprenderem uns com os outros a partir de seus pontos fortes e fracos.
Exibição: sábado - 22h45 - Multishow
Reprise: quarta - 17h00 - Multishow
domingo - 12h30 - Multishow
quinta - 04h30 - Multishow
quinta - 07h30 - Multishow
quinta - 14h30 - Multishow

terça-feira, 10 de março de 2009

O melhor amigo

O superman tem me feito entender uma série de coisas óbvias desde que me adicionou no orkut e msn. Não vou revelar a identidade secreta dele nem ocupação porque vocês sabem, né? O que tem de olho gordo por aí, não é brincadeira. E outra, super-herói sem identidade secreta não tem graça nenhuma.

A última dele foi em relação à sua primeira grande lição na política: Preocupe-se com seus inimigos, fodam-se os seus amigos. Achei forte, pesado na hora. Mas deixando a inocência de lado e caindo na real é bem por aí mesmo. Devida importância seja dada a quem não gosta da gente, porque quem já está do nosso lado a principio não oferece qualquer tipo de risco.

É claro que isso é mais do que inocente. As punhaladas mais cruéis vêm dos amigos, daqueles que você considera pra caramba. Aí é hora de virar e exigir sem medo um posicionamento claro: "é ou não é meu amigo? Tá ou não comigo nessa? Não tá? Ok! Foda-se, beijo, NÃO ME LIGA".

No fundo tudo isso só reforça uma coisa que sempre acreditei: somos um bando de egoístas e interesseiros. É conveniente, nos interessa, ótimo. Saiu dessa linha, descarta, troca, pula para outra. O mundo é feito de interesse e favores. E passei a não esperar nada mais do que um bom acordo de toda e qualquer relação que estabeleço.

Um exemplo: somos “Amigos” de balada (EXISTEM?)? "Ótimo, vejo vocês na pista, falamos uma ou outra bobagem, algum assunto bem superficial e pronto, tá excelente!". 

Não sei quem são meus inimigos. Que burrice! Conhecê-los é importante para saber me posicionar contra seus  possíveis ataques. Sei quem são meus amigos. Aliás, acho que sei. Também sei quem já foi meu amigo e hoje não é mais nada. Sinto falta de alguns, de outros mal lembro o rosto.

Quando eu era criança, tinha o Eduardo, o Eugênio. Depois cresci mais um pouco e veio o Felipe, a Lorena, a Claudyanna, o Rodrigo... Éramos uma verdadeira panelinha (da Clayds, lembra?). Cada um seguiu seu rumo.  Meu melhor amigo desse tempo hoje simplesmente ignora, e porquê? Porque em algum momento talvez falhei ou porque a distância nos levou para caminhos opostos.

Aí veio a universidade e o "G-8". Fabretti, Schin, Lud, Hilton,... Grudados durante quatro anos, para depois cada um seguir seu rumo novamente. Quanta saudade da PH Rolfs, das cervejadas. O Fabretti mora na mesma cidade que eu, mas muita coisa mudou. Somos amigos, mas não mais os melhores amigos. Aconteceu mais uma vez...

E os amigos do Vale? Eu e o Vinicius éramos inseparáveis nas loucuras, risadas, cabine de música, assuntos sérios, ixi, tanta coisa que não dá nem para listar. Teve mudança, religião, relacionamento... e novamente o meu melhor amigo, já não era mais meu melhor amigo.

Ah sim! Na pós vieram as queridíssimas Taylise, Lilian, Mel, Tammy. A Lilian companheirona... Segurou a minha barra em cada uma... A pós acabou e hoje em dia, um encontro ou outro na academia e nada mais.

Parei para pensar e percebi que não tenho um “melhor amigo".  A vaga ficou aberta, mas não pretendo preenchê-la com qualquer um. Tem que ser um Eduardo, um Felipe, um Vinicius, um Rafael, um Hilton,uma Roberta, uma Lud, uma Lilian, e estar totalmente afinado com o momento que estou vivendo. Não dá para ser diferente. Faz parte do meu acordo. 

Dj Ricardo Gonzalez


"Done to gym", set "bombadinho"  e cheio de referências de um dos melhores djs de São Paulo - se não for o melhor, ok?!? 

DJ RICARDO GONZALEZ - DONE TO GYM
Março/2009
Duração: 79'50"
Estilo: Electro-House/Tribal

(+) sobre ele aqui: Website Oficial

segunda-feira, 9 de março de 2009

A garota que eu ainda não perdi


O nome dela é Ana Griebler. A garota que eu AINDA não perdi. Foi no reveillon, meio que ao acaso, a idéia de narrar sua história. Empolguei, contei as horas para finalmente sentar em frente ao computador e vê-la nascer: abandonada, culpada, tímida, assustada, apaixonada.

Ana cresceu sem olhar diretamente nos olhos de ninguém. Mas algo em seu destino a colocou frente a frente com os mais tristes e desesperançosos olhares. Coisas da vida. Tem amor (platônico), relação mal resolvida com a mãe adotiva, um garçom, um gato e um médico super boa praça. E mais um monte de outras coisas também!

Durante duas semanas escrevi sem parar. Ela me fez um bem danado. Experimentei aquela história de apaixonar-se pelo trabalho, de sentir o corpo tomado por uma indescritível sensação: o êxtase!

Mas depois disso, o branco, o nada, o vazio. Perdi Ana! Três semanas e nada dela. A criatividade, inspiração e empolgação simplesmente desapareceram. Da noite para o dia. Um drama! Agora uma descritível sensação de abandono.

Falei tudo e não disse nada. Nem posso. Faz parte do mistério. O porquê deste post? É que eu a encontrei! Sim, Ana, a garota que eu ainda não perdi. Foram mais dois capítulos super prazeros com direito a "Izrail", um anjo da morte islâmico e um falso profeta cristão.

Tudo isso para dizer que continuo na ativa e cada vez mais afiadinho. Uma coisa boa deve sair disso tudo. É esperar para LER!

domingo, 8 de março de 2009

Dia da Mulher!

Cena 3: Abre a imagem da cama de casal do apartamento de Estela. Ela e ele fumam. Câmera muda para Estela que vira para o lado oposto e fala:

ESTELA: Ele é meu ex. Um traste. Péssimo de cama. Um pau pequeno e ainda fala por aí que tem 19 cm. Homem é tudo bobo quando o assunto é sexo, não é mesmo? Vejam só a banca que ele tá agora, só porque eu gemi um pouco mais alto e caprichei no último grito. É óbvio que tudo é uma grande mentira. Esse é um dos grandes trunfos que, nós mulheres, temos na cama. O poder da mentira!

(Estela e Abigail, Douglas Freitas, Março/2008)


Uma vez me perguntaram se eu gostava de mulher. Dá para imaginar o tipo de idiota que faz uma pergunta dessas, não é?!? É claro que eu entendi o porquê daquilo, mas tentei ser o mais educado possível: "Gosto, claro que gosto. São as melhores amigas, mães, primas, tias e avós que existem".

E não é só isso! Só escrevo sobre mulheres, seus dramas e mistérios. E não é nenhum wannabe ou frustração pessoal. É que acho o universo delas extremamente mais interessante e complexo, e tudo por causa do bendito dom de mentir, inclusive na hora H, zé manés!

Para escrever "Estela e Abigail" fiz uma pesquisa e descobri um montão de nomes carinhosos, malditos, ofensivos, curiosos, engraçados,..., para vagina. É uma lista extensa, de A a Z, quase um glossário. Uma amostra:

Amiga aranha babada bacalhau bacurinha baratinha barbuda bibinha bimbobirosca
boceta borboleta brêba breceta brexeca brinquedo de ginecologistabroinha da
carcunda rachadabuça buçanha buceta buraco negro burunfa butchaca cabroca
caixinha campinho molhado capô de fusca caranguejeira casa do caralho caverna do
dragão charuleta chavasca chibiu chiranha chula cilibeta codorna cona concha
corujinha crica curica esfiha fenda florzinha gordinha grelha grêta gruta
julieta jurupoca juvença laurinha lessa luluca macaquinha manga peluda manga
rosa mapoa mariposa maruia melosa moitinha moranga pachaca parracha pastel de
cabelo peluda pepeca perereca perestroika periquita perseguida pexereca pipa
pipiu pitchuca pitoquinha pixireca pixirica pixoca pixorra pixu pixuchinha poço
dos desejos pomba pombinha pomboca popoca porta pica preciosa preta prexeba
prexeca prochasca pupuca rabiola racha rana rosada siri tabaca taioba tcheca
testa vala ventosa vulva xana xanca xanha xavasca xeca xenebiqueia xereca xibiu
ximbica ximboquinha xiriquita xola xonga xota xoxota xulapa xuleta xuranha

Mais nomes aqui: desciclo.pedia.ws/wiki/Lista_de_nomes_populares_para_a_vagina

sábado, 7 de março de 2009

O livro que quase escrevi sobre o meu avô

Mais um daqueles projetos inacabados. Um desafio na faculdade, um trabalho valendo nota e uma idéia na cabeça: contar a história do meu avô. O que faz dele um homem diferente, interessante? Se casou quatro vezes, e só não foram cinco porque os filhos resolveram interferir.
Ele também fez a parte dele: parou de comer ovos crus, um estimulante conforme me explicou anos depois meu pai.
A sinopse abaixo foi entregue em agosto de 2005 ao professor de Redação em Jornalismo IV e, pelo que me lembro, me rendeu até que uma nota boa. Mas não tão boa que me fizesse sair do comodismo e continuá-la.
Do esquecimento do meu HD para as páginas do meu blog. Eu vos apresento um resumo da história de Geraldo Vieira Freitas, meu avô e como seria a estrutura do livro que, um dia, pensei em escrever sobre ele:
SINOPSE:
Um homem que atravessou momentos históricos importantes sem contudo se envolver ativamente com nenhum deles. Também não dava tempo. Foram muitas mulheres, vieram muitos filhos. Conheceu a pobreza e a riqueza, não necessariamente nessa ordem. No fim, com mais de noventa anos, foi simplesmente mais um que parecia vencer o tempo.

Geraldo Vieira de Freitas casou-se e teve a primeira filha ainda muito cedo. Conheceu a viuvez e a sensação de ser pai solteiro com a mesma precocidade. Teresa da Anuciação deveria ter vivido muito mais do que aqueles dois anos.

Mas a história se conta pra frente e logo, mas muito logo mesmo, ele já estaria casado de novo. Foram seis meses e Dulce Águida de Sá já acrescentava o sobrenome Freitas. Ficaram casados mais de 10 anos, mas a loucura levou a mulher para longe. Entre internações em Belo Horizonte e supostas melhoras, dois filhos nasceram. Mas a loucura fez com que Dulce por muitas vezes esquecesse do sentimento materno. Foram inúmeros tapas, socos, ameaças etc. O suficiente para levá-la a uma duradoura internação na cidade de Oliveira, onde morreria. Geraldo e os meninos viriam a saber tempos depois, quando a carta com tarja preta (como era costume na época) chegou em suas mãos.

Mas mesmo antes de se enviuvar pela segunda vez, os cafezais da sua fazenda se tornaram cúmplices do caso de adultério que geraria o quarto filho de Geraldo. O recém nascido Cirilo foi rejeitado por Rosa que em pouco tempo adoece e morre. Coube então, a primeira filha Maria Tereza cuidar daquele bebê, sem saber que ele era seu irmão. Cirilo só saberia que não era adotado muito tempo depois.
E é nessa mesma fazenda – que presenciou a morte repentina, a loucura doentia e a rejeição fria – que trabalha a família de quem viria a ser a terceira esposa de nosso personagem. Ela não queria, mas os pais insistiam. Era o casamento ideal para Jacira de Almeida A trouxeram de Belo Horizonte e sobre a ameaça de tirar a benção, conseguiram realizar o casamento.

Os pais de Jacira só não contavam com o infortúnio do destino: uma crise e as terras vendidas. Jacira só não contava com o amor. Apaixonou-se, o que naquela época, na roça, era o mesmo que dizer “teve filhos”: foram mais seis!

Era hora de procurar melhores condições, reconstruir a vida. E assim todos se jogaram na estrada em um caminhão rumo ao Paraná. Poderia ter dado tudo certo por lá. Mas a história para aquela família nunca foi fácil. A primeira filha de Geraldo com Jacira se envolveu com um sargento do exército. Com apenas 15 anos, Maria da Glória foi molestada.

O sargento ameaçou a família de Geraldo. Usando de uma autoridade intimidadora fez da casa dos Vieira de Freitas o seu quartel. A saída era fugir, levar a jovem para longe dos olhos daquele homem. São Paulo foi a opção. Foi lá que ele reconstruiu a vida, que viu os filhos casarem, os netos nascerem. Foi lá que viu Jacira morrer, que enfrentou por anos o câncer de próstata, até morrer no dia cinco de março de 2005 aos 92 anos.
OS CAPÍTULOS

Parte I – Um homem de muitas mulheres

Capítulo 1: Tudo pronto para o casamento
Casamento de Geraldo e Jacira. Lembrança rápida dos outros casamentos.
Capítulo 2: Enfim só.
Morte de Jacira.
Capítulo 3: Teresa, Maria, Herança
O Primeiro casamento.
Capítulo 4: 10 anos ao lado da loucura
O segundo casamento.
Capítulo 5: A Rosa do cafezal
O adultério com Rosa.
Capítulo 6: Por dinheiro obrigada a amar
Jacira e Geraldo

Parte II – Um homem de muitos filhos

Capítulo 7: De homem para homem
Geraldo e seus seis filhos homens.
Capítulo 8: Tiro, lágrimas, dor
A morte do filho Zaqueu e da neta Taís
Capítulo 9: Bendito é o fruto
Geraldo e suas cinco filhas.
Capítulo 10: Filha de brinde
Almenir filha de Jacira
Capítulo 11: Filha por conveniência
A “adoção” de Valéria

Parte III – Um homem

Capítulo 12: Homem de chapéu
O acessório indispensável
Capítulo 13: Homem que crê
A religião.
Capitulo 14: Homem que conta
Casos sempre contados a netos e filhos.
Capítulo 15: Homem que conhece as plantas
A paixão pelos chás.

Parte IV – Um homem de muitos netos, bisnetos,...

Capítulo 16: Filhos dos filhos
Os netos.
Capítulo 17: Filhos dos filhos dos filhos: A família não pára de crescer
Os bisnetos, tataranetos.

Parte V: Um homem em vários lugares

Capítulo 18: Timóteo
Geraldo em Timóteo/MG
Capítulo 19: Histórias de uma viagem
A caminho do Paraná
Capítulo 20: Paraná
Geraldo no Paraná
Capítulo 21 : São Paulo
Geraldo em São Paulo

Parte VI: Um homem de fibra

Capítulo 22: As doenças
Os problemas de Saúde
Capítulo 23: O Câncer de Próstata
A doença que ele venceu
Capítulo 24: Velhice
Os últimos anos de Geraldo

Parte VII: Um homem que luta até o fim

Capítulo 25: Um homem nos últimos dias
Os últimos dias
Capítulo 26: Um homem nas últimas horas
As últimas horas
Capítulo 27: Um homem nos últimos minutos
Os últimos minutos
Capítulo 28: Um homem e o último segundo
O último suspiro

O primeiro capítulo

I

Tudo pronto para o casamento


O dia amanheceu estranhamente calmo. Não era para ser assim. Era dia de festa, de pessoas circulando por todos os cantos da casa, de agradecer os cumprimentos de felicidade. No quarto, nosso personagem acaba de dar o nó na gravata. Com o rosto sereno, parece não dar conta de que em poucas horas voltará a ser um homem casado.
Geraldo não havia nascido para a “solteirice”. Gostava da comodidade de ter em casa, uma mulher para dividir os problemas, as alegrias e, principalmente, a cama. Tentou algumas vezes, aproveitar a vida de solteiro. Mas naquela época era difícil. Ia contra todos os costumes e normas sociais. “Cirilo” pensou. Há oito anos aquele segredo insuportável e a certeza de que continuar se deitando com mulheres à escondida era perigoso demais. Mas não queria pensar nisso.
Pegou o chapéu em cima da arrumadeira e arrumou o bigode. Os olhos continuavam presos no espelho. Relembrava os antigos casamentos, os antigos casos. Era tudo passado. Tinha que começar de novo.

- Pai! O Senhor já está pronto?

Ele permaneceu com o olhar fixo em sua imagem refletida, como se não ouvisse o que sua filha acabara de perguntar. Mas ela insistiu, o que fez aos poucos com que ele voltasse a realidade.

- Pai, o senhor não está me ouvindo?
- O que te traz aqui Maria Tereza, entrando sem bater na porta? Você me interrompeu. Não posso conversar agora, tenho que terminar de me arrumar.
- Você vai com esse chapéu?
- E o que tem isso?
- Tem que é uma festa! Não combina! Eu li em uma reportagem que não se usa mais isso na cidade.
- Eu não moro na cidade. Aqui se usa, e é com ele que eu vou!
- Mas é feio papai. Nem combina com esse paletó.
- Maria, anda, me diga a que veio. Você está me atrapalhando! O Almeida já está lá embaixo?
- Não sei, eu não o vi. Eu vim, papai, porque ainda me resta uma chance. Você não pode se casar com aquela mulher!
- E desde quando você me dá ordens! Respeito, menina! Comigo e com aquela, que será a dona dessa casa.
- Mas ela não quer casar, papai! Até o senhor já sabe disso. Ela vai casar forçada. Não te ama.
- E o que você sabe sobre o amor, minha filha?
- Posso não saber ainda, mas...
- Mas nada! Você não sabe nada da vida. Ela é viúva, bonita, e filha de boa gente.
- Mas não gosta do senhor. Você vai acabar cometendo o mesmo erro, de quando se casou com aquela outra mulher. Viu no que deu!
- Chega Maria! Não quero ouvir mais!

Já não se via o mesmo olhar sereno e calmo de outrora no rosto daquele homem. Segurou para não dar uns tapas naquela garota de 17 anos que, agora a sua frente o desafiava com o olhar.

- Vá se arrumar Maria, e me deixe em paz.
- Eu não vou a esse casamento! Não posso concordar com essa sandice!
- Se você abrir sua boca para falar mais um “a” sobre isso, eu juro que te ensino como me respeitar. Anda, vá se aprontar. Você vai nesse casamento sim, e considere isso uma ordem. Não ouse me desrespeitar.

A autoridade com que aquela última frase foi dita, fez com que lágrimas rolassem pelo rosto de Maria. “É o fim de tudo, minhas esperanças foram em vão” pensou. Mal conseguiu pedir licença ao seu pai e correr até o fim do corredor: já não podia controlar o choro, o soluço, o desespero.
Geraldo era um homem de fibra, sem dúvidas. Nunca foi de demonstrar carinho e generosidade. Essas características não cabiam em um verdadeiro macho. Tinha sua pele marcada, pelas inúmeras experiências que tivera naqueles 38 anos.
Olhou no relógio. “Oito horas e quarenta e sete minutos, ainda me resta algum tempo”, e voltou o olhar para a sua imagem no espelho. As recordações agora vinham mais claramente, com mais intensidade. O primeiro casamento, o nascimento de Maria, a viuvez precoce. Teresa da Anuciação deveria ter vivido muito mais do que aqueles dois anos. Lembrou também dos dez anos em que esteve casado com Dulce Aguidá de Sá, e dos dois filhos que teve com ela. “Ah! Como meus meninos sofreram”, suspirou. Foram inúmeros tapas, socos, ameaças. Deteu-se por um instante em Maria. Compreendia e até admirava a atitude que a filha tomara a pouco, mas nem por isso poderia perder a autoridade de pai.
Relembrou ainda das curvas de Rosa, sua empregada, das tardes ensolaradas em que se amaram entre os cafezais da fazenda, da covardia daquela mulher ao fugir logo após dar a luz a Cirilo. Ninguém podia saber daquilo. Era um segredo e tinha que ficar ali, guardado dentro de sua memória. E Maria voltava a ser protagonista de seu passado, assumindo a responsabilidade de cuidar daquele bebê, sem contudo saber que ele era seu irmão. Cirilo só saberia que não era adotado muito tempo depois.
Por fim, a figura sensual de Jacira tomou-lhe conta, e um arrepio percorreu todo o seu corpo. “Como era bonita!”. Bonita e tinhosa. Tão logo que perceberam o interesse do seu patrão por sua filha, para já arranjarem uma forma de apresentá-los. Está certo que era um daqueles dias feios, nublado, cinza, sem graça, mas a imagem de Jacira, meio que contrariada vindo em sua direção, e se recusando a cumprimentá-lo, foi o suficiente para despertar a cobiça em nosso personagem. Adorava possuir coisas que eram difíceis de se conquistar: sentia-se poderoso nessas horas!
Em outro quarto, Maria agora limpava o seu rosto, enquanto trocava de vestido. Acabara de ter mais uma idéia. Estava disposta a lutar até os últimos segundos para impedir que o seu pai se casasse com aquela mulher. Mal calçou os sapatos e saiu correndo, atravessando o corredor e a sala de estar, sem falar com nenhuma das pessoas, ali presentes. Tinha algo muito importante para fazer e não podia perder seu tempo com bobeiras e meia-conversas. No jardim corria o mais rápido que os seus pés podiam agüentar, estava no limite e sabia que a qualquer momento poderia cair. Mas nenhum temor era maior do que o casamento que estava preste a se realizar. E sabia, que quanto mais corresse, maiores eram as sua chances de sucesso.

- Onde está Maria?
- Não seu papai. Estava em meu quarto terminando de me arrumar.
- Maria Tereza! Maria Tereza!
- Papai, eu a vi a pouco. Ela saiu correndo pela porta. Parecia aflita, nervosa. Perguntei se estava acontecendo alguma coisa, mas acho que ela não me ouviu, de tão rápido que passou por essa sala.
- E você não viu para onde ela foi João?
- Não papai.
- E você Cirilo?
- Como te disse estava me aprontando. Eu não a vi hoje ainda.
- Benedito?
- Eu estava na cozinha. Mas ouvi alguém comentando que ela saiu correndo pelo quintal, em direção ao pomar.
- O que será que essa menina está aprontando? Maria, Maria, você está brincando com fogo. Cirilo, João, Benedito vão procurar sua irmã. Quero falar com ela agora.
- Sim senhor – responderam juntos.

De longe Maria ouvia o grito de seus irmãos. Respirou fundo. Olhou para frente. Era impossível estar ali, e não relembrar os momentos mais alegres que tivera em sua infância. “Vovó não devia ter morrido, ela com certeza não aceitaria essa história” pensou. Maria imaginava como era calma e feliz a vida de seu pai, sua mãe e sua avó morando juntos naquela casa. Mas as coisas haviam mudado, e desde que sua mãe havia morrido, de modo tão inesperado, seu pai resolvera construir uma casa maior, para que pudesse viver com sua segunda esposa, já que no auge da loucura, ela jurava enxergar o “espírito maligno” de Tereza, a primeira esposa de nosso personagem, a habitar os cômodos da antiga casa.

- Mamãe, se era verdade o que aquela louca dizia, e se você realmente está aqui, me ajuda nessa missão.

Respirou fundo mais uma vez, olhou para os lados e para trás. De longe via os irmãos se aproximando. Não podia mais perder tempo.

- Jacira! Jacira!
- Maria, o que te traz aqui quase na hora de sairmos para o casamento.
- Preciso falar com sua filha, seu Almeida!
- Mas ela está se arrumando! Não pode falar agora.
- Eu preciso muito falar com ela. Por favor, Seu Almeida.
- Minha filha! Olha lá. Seus irmãos estão te procurando. Daqui dá pra se ouvir os gritos dos meninos. Vá que você conversa com ela em outra hora. Tempo para isso é o que não vai faltar.
- O senhor vai me desculpar, mas se o senhor não me deixar entrar por bem, eu entro a força.
- Calma, Calma! Me diga o que você quer, que eu falo com ela pra você.
- Não, esse assunto é particular, entre eu e ela. Dá licença.

E foi entrando. Nem a força do cafeicultor, acostumado com a lida da roça, conseguiu impedí-la. Estava disposta a pôr em prática o seu plano e não ia ser um empregado da sua fazenda que ia proibi-la.

- Pai, a gente ta procurando, mas nada dela. Ela sumiu!
- Ninguém some assim Cirilo. Anda! Volte pra lá e ajude os seus irmãos a procurá-la. Dessa vez o atrevimento de Maria, não vai passar desapercebido!

Maria entrou pisando forte e apressadamente fazendo com que o velho piso de madeira da sala rangesse. Antes que perguntasse por Jacira, ouviu uma conversa vindo de um quarto à direita.

- Maria? O que você está fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa?
- Não, dona Francisca. Por enquanto ainda não. Saia. Eu preciso falar com sua filha a sós.
- Eu estou terminando de ajustar o vestido, não po..
- Saia dona Francisca! Eu estou mandando. Pode deixar que eu termino de ajustar o vestido pra senhora.

Jacira permaneceu calada. O olhar tristonho e desanimado só se desfez quando Maria começou a falar a que veio.

- Eu sei que você não quer esse casamento. Que está se casando por obrigação.
- E o que eu posso fazer?
- Pode desistir. Você ainda tem essa opção. Daqui a pouco vai ser tarde demais Jacira. Só estou aqui, porque sei que esse casamento é um erro. Não vai dar certo.
- Mas meus pais...
- Esqueça o que eles disseram. Toma. Segure isso.
- O que é isso?
- O suficiente para você ir embora e começar uma vida!
- Como você conseguiu isso?
- Não interessa!
- É claro que me interessa Maria!
- Eu peguei escondido do Papai.
- Isso é roubo!
- Roubo ou não é o suficiente para você não precisar se casar.
- Mas e meus pais?
- Arranjo mais dinheiro para eles. Eles vão ficar satisfeitos.

Os olhos de Jacira agora brilhavam esperançosos. Não estava casando por desejo próprio, tinha outros planos, outros sonhos. Já havia tido uma experiência uma outra vez, mas não havia sido feliz. O falecido havia deixado uma filha, Almenir, mas em Belo Horizonte percebeu que poderia ter um futuro, bem diferente do que era habitual na roça onde seus pais viviam, onde as expectativas de vida das mulheres eram atreladas a um bom casamento.

- E como faremos?
- Fugiremos agora! Eu te dou cobertura enquanto você pega um cavalo e corre até a cidade. Lá você procura o...
- Nem pense em fazer isso Jacira de Almeida!

Jacira se assustou ao ver os seus pais entrando pela porta. “Eles ouviram tudo”.

- Muito bonito, Maria! Deixe o seu pai saber disso!
- Jacira!
- Eu não posso Maria!
- Não pode e não vai. Não se esqueça que nós tiraremos a benção da sua vida!
- Você pode e vai Jacira!
- Maria!
- Jacira, confie em você! Você não o ama!
- Almeida! Tire essa menina daqui!
- Sua interesseira – gritou Maria se virando para a mãe de Jacira
- Saia já da minha casa!
- Eu não posso Maria, me desculpa.

E a tristeza voltou aos olhos da noiva.

- Seu Geraldo, saberá disso, viu mocinha?
- Já não me importa.

Mais uma iniciativa havia sido frustrada. Não restava outra coisa a não ser aceitar o que estava acontecendo: Mais próxima da casa, ela já podia ver os cavalos sendo aprontados para levar os convidados até o cartório da cidade. O clima de festa contratava com a amargura de seu coração.

- Maria! Papai tá bravo atrás de você!

Ela fingiu que não ouvia. Entrou pela mesma porta, que há instantes atravessara esperançosa, segurando as lágrimas. Arrastava seu corpo, que parecia incrivelmente denso: era o peso da derrota! Enquanto atravessava a sala, percebeu a presença do seu pai, mas continuou andando em direção ao seu quarto. “Como eu queria que esse quarto tivesse chave! Ficaria trancada aqui o resto de minha vida”, pensou, quando foi repelida pela voz austera e repressiva de seu pai!

- Você está brincando comigo Maria! Que palhaçada é essa?

A garota permanecia imóvel, quieta.

- Anda, me responda! Onde você estava?

Mais um instante de silêncio. Não que Maria quisesse desrespeitar seu pai. Apenas não tinha forças para falar.

- Anda menina! – disse Geraldo segurando-a pelos braços.
- Desculpa, papai!
- Você está de castigo, entendeu? E só não vou te dar um corretivo agora porque estou atrasado. Você está proibida de sair de casa até segundas ordens, e considere essa punição a partir de hoje.
- Isso quer dizer que...
- Isso mesmo que a senhora está pensando. Não vai ao casamento!
- Obrigado papai.

Maria o abraçou. Geraldo não estava compreendendo muito bem aquela situação. Maria agradecendo um castigo? Estranho. Mas não tinha tempo para pensar nisso. Tinha que se apressar, senão o cartório fechava.

Era um longo caminho até se chegar ao povoado. Algumas horas a cavalo, muitas outras a pé. A cidade de Timóteo estava longe de ser emancipada, mas aos poucos ganhava importância. Naquele ano de 1951, duas grandes inaugurações demonstravam que o distrito estava crescendo. Haviam sido inaugurados a Usina Hidrelétrica de Sá Carvalho e o Hospital Acesita, tudo resultado da instalação da companhia de Aços Especiais Itabira – Acesita, que não parava de trazer progressos para a região.
Geraldo acompanhava tudo atento. Suas terras se valorizavam a cada dia. Ele que nascera ali, no dia 25 de setembro de 1913, não podia acreditar no que seus olhos estavam vendo. Em cima do cavalo, notava que novas casas e vendinhas iam surgindo no caminho. O progresso!

Maria estava aflita em seu quarto. O que será que estava acontecendo? O casamento já teria se realizado? Tentava ter um pouco de esperança, mas sabia que pouca coisa podia ser feita. Torcia para que uma chuva caísse, impedindo a caravana de chegar até o cartório, mas o céu estava aberto e claro demais para isso. Torcia então, para que alguém passasse mal. Não, Maria não era uma pessoal maldosa, mas qualquer coisa era melhor do que aquilo que estava preste a acontecer. “Jacira, coragem Jacira” pensou.

Jacira estava linda. Com um vestido bege de seda, um luxo na época, despertava a inveja das mulheres e os olhares de cobiça dos homens. Em cima da carroça, sentia a força das mãos de seus pais sobre as suas. Olhou para a paisagem que a rodeava. Tudo tão diferente de Belo Horizonte! Lá sim era lugar de se viver! Aqui, tudo tão calmo, lá tudo tão agitado. Em sua cabeça as palavras de Maria ganhavam mais força a cada solavanco da carroceria. “Jacira, confie em você! Você não o ama!”. Mas já era tarde demais. Ela havia demorado muito. Quantas noites Jacira havia sonhado com isso, planejado sua fuga. O dinheiro que Maria oferecera, era mais do que o suficiente, mas agora já não tinha mais valia.
Obrigada ou não, ela passou a assinar o sobrenome Freitas em menos de meia hora de cerimônia no cartório. Assinou o documento o mais rápido que pôde. Queria se ver livre daquele vestido. Queria esquecer tudo aquilo que estava acontecendo. Juras de amor eterno. Amor? O que seria isso? Com certeza não é o que tinha em seu coração. Para não perder a benção paterna, mentiu para o padre que os abençoou, mentiu para Deus. Um Pecado!

De longe Maria podia ouvir as aclamações de felicidade. Olhou para a janela, com o último fio de esperança que lhe restava. Fechou os olhos, querendo aguçar a sua audição. Ouvia vozes, gritos, cantos. Aos poucos a melodia foi ficando mais clara. Conhecia aquela canção. Era tão antiga... Sentiu um aperto no seu coração.

Ô que bonito
Ô que beleza,
Rei e Rainha
Príncipe e Princesa

Seus lábios pareciam não obedecer e a garota acompanhava a cantoria. Não tinha mais jeito. Lágrimas voltaram a rolar por seu rosto sofrido. Pensava agora na punição de seu pai, quando soubesse do seu atrevimento. Voltou para o seu quarto e bateu a porta com força.

Estava tudo pronto na fazenda. Enquanto eles foram para a “cidade”, os empregados terminaram de assar as carnes, os bolos, de decorar o quintal. Jacira permanecia séria ao lado de Geraldo. Durante o trajeto de volta, não trocaram sequer uma palavra, um olhar. Pareciam e eram dois estranhos ali, lado a lado.
Carne de porco, de galinha, de boi, de sobremesa doce de batata doce, de mamão ralado: tudo em latas cheias, uma fartura! Para beber, vinhos, sucos e a famosa cachaça artesanal, produzida na própria fazenda.
Trovadores e sertanejos se revezavam, cantando músicas de grande repercussão na época, como "Escandalosa" de Emilinha Borba, que tocava sem parar na Rádio Nacional e outros sucessos de Dorival Caymmi, Paulo Roberto e as valsas de Gastão Lamounier. Tudo de acordo com o gosto do dono da festa. Jacira já preferia as novas de João Gilberto, Celly Campello e Tom Jobim, ou ainda aquelas internacionais de Elvis Presley e Bill Haley.

- João, vá levar comida para sua irmã Maria!
- Perdoe-me o atrevimento senhor, meu mari – engasgou – senhor meu marido, permita-me que eu mesma vá!
- A senhora? Por acaso não sabe que Maria era contra esse casamento?
- Mesmo assim eu insisto em ir falar com ela.
- O que vocês duas estão planejando?
- Nada! Apenas quero ter uma conversa amigável, já que terei de dividir o mesmo teto que ela. Permita-me senhor!
- Sim, eu permito, mas você não vai sozinha. João...
- Sim, senhor!
- Vá com Jacira até o quarto de Maria. Olho aberto, viu?
- Pode deixar papai.
- Não me contrarie Jacira. Você teve até agora a pouco para não casar comigo. Agora é minha mulher e me deve total respeito.
- Eu sei, senhor meu marido. Não o contrariarei.

Maria havia adormecido ali, debruçada sobre a sua cama. Sentiu o toque leve em seus ombros. Abriu os olhos lentamente.

- Jacira?
- Vim lhe trazer esse pedaço de bolo.
- Aconteceu não foi?
- Não tive como evitar. Foi um tipo de situação que já não dependia mais de minha vontade.
- João, me deixe a sós com Jacira!
- Não posso, papai...
- Eu estou mandando, fique lá fora, seremos rápidas e papai não saberá de nada!
- Mas é que...
- João!

Foi só o menino fechar a porta para Jacira começar a chorar.

- Quem deveria estar chorando sou eu! Serei brutalmente castigada.
- Pelo que você fez hoje cedo?
- Sim.
- Não se preocupe. Meu pai não contará nada ao seu pai.
- Não? Como não, se ele me disse que falaria tudo?
- Foi a última condição que eu fiz para aceitar esse casamento. Que ele não contasse nada ao seu pai! E ele me jurou, que fingiria que nada aconteceu.
- Gostaria de me sentir mais feliz ouvindo isso, mas meu coração continua pesado.
- Vim lhe falar porque tenho mais um plano. Acho que ainda dá para anular esse casamento!

João olhava preocupado para os cantos do corredor. “Se papai me vê aqui, eu to ferrado” pensou. Tentou escutar o que as duas conversavam dentro do quarto, mas a porta de madeira era muito grossa e elas falavam tão baixinho!

No quintal, Geraldo já se inquietava com a demora de Jacira. “O que essas duas estão tramando” se perguntava. Não era homem de ficar com dúvidas na cabeça, gostava das coisas bem esclarecidas, em pratos limpos. Resolveu ir conferir com os próprios olhos o que estava acontecendo.

- Mas papai jamais aceitará essa situação! Eu o conheço!
- Deixe comigo Maria! Dessa vez eu não falharei!
- Maria, Jacira! Papai tá vindo!
- Que susto João!
- Anda, Maria, agora coma esse bolo, que nós temos que ir!
- Vá com Deus Jacira! Que ele te abençoe. Ah! Parabéns e sorte!
- Obrigado eu precisarei!

Uma despedida. Geraldo que acabara de entrar no quarto não havia percebido nada, mas algo de muito sério havia sido combinado entre aquelas quatro paredes. Mas não era hora para isso. Era dia de festa e os convidados os aguardavam. Nos olhos de Geraldo a satisfação, nos olhos de Jacira, um brilho estranho e um sorriso traiçoeiro. Para ela era uma questão de vida ou morte, mas havia uma chance.
(...)
(Geraldo, mulheres, filhos e netos: A história do Vieira de Freitas , Douglas Freitas, Viçosa, Agosto de 2005)
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sexta-feira, 6 de março de 2009

Lulinha

(clique na imagem para ampliar)

Como diria macaco Simão: é mole? É mole, mas sobe!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Mais e mais castelos

Andei pensando: Já imaginou se todo político corrupto resolve a partir de hoje construir castelos Brasil à dentro? 

Que me desculpem os inconformados com a ousadia do deputado Edmar Moreira (DEM-MG), mas ADOREI a idéia... Movimenta a economia, gera empregos, abre novas possibilidades de turismo, embeleza cidades que antes não tinham qualquer atrativo (alguém até então já tinha ouvido falar em São João Nepomuceno?).

Não existe um consenso nacional de que todo político é ladrão? Pois bem, desde já este blog se coloca contra todas as falsas promessas de campanha e apóia a contrução de pelo menos um castelo por município.