Desde que abri as portas desse serviço de entrega (pessoal e não remunerável) sempre, já no finzinho dos dezembros, perdia um tempo danado refletindo sobre o ano que passou e listando uma série de aspirações para o outro que vinha.
Pouca coisa mudou a não ser a baixa frequência dos deliverys - o que pode sinalizar sim um mau momento desse meu produto no mercado, ops, blogosfera - e uma certa preguiça com promessas e planos extensos. Cheguei a sensata conclusão de que preciso ser mais objetivo comigo mesmo como, por sinal, pedem os dias atuais.
Fiz disso um exercício pessoal e decidi que eu resumiria ao máximo tudo o que estava em minha cabeça, chegando - se tivesse sorte - a apenas uma palavra, que seria como o meu "código cultural" durante 2011. O meu destino e o meu começo, um ponto de partida e outro de chegada.
Consegui não em uma, mas em duas palavras. A princípio pode parecer estranho, mas "MASTIGAR MAIS" tem tudo o que preciso para começar, caminhar e encerrar bem os 365 dias que vem pela frente.
Mastigar mais as percepções antes de julgar.
Mastigar mais as palavras antes de impor a minha opinião.
Mastigar mais os preconceitos e, se possível, cuspi-los longe.
Mastigar mais os sentimentos, intensificando mais o sabor de cada uma de minhas relações.
Mastigar mais o meu trabalho evitando refluxos.
Mastigar mais as minhas ideias e esboçá-las de forma 100% clara.
E claro, mastigar mais a comida, comer menos, engordar menos, precisar malhar menos e, por fim, ter assim um tempo livre para fazer qualquer outra coisa boa que eu quiser.
Precisa de mais?
Feliz Natal e um excelente 2011 a toda minha clientela.
; )
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Desconstruir histórias
Jéssica adorava pontos finais.
Tecia histórias inteiras - às vezes longas, outras curtas demais - pelo simples prazer de encerrá-las. Ouviu uma conversa de início, meio e fim, certa de que sua parte favorita estava sempre lá, na última linha, esperando por ela.
Assim, obstinada, ela se atirava sem medo em novas propostas e aturava feliz todos as coisas que aconteciam pelo simples prazer de um dia apertar com força a ponta do lápis em uma minúscula, mas objetiva bolinha escura, tipo essa .
Doa a quem doer, não era mesmo da sua conta. Viveu certa de que controlava o tempo de suas orações, a perenidade de suas relações. Estava convicta de que só dependia dela decidir... e acabar! Só ignorou um último ponto, aquele que, um dia, finalizou a sua própria existência. Jéssica ponto, final.
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Enquanto isso lá no Facebook...
É mais um daqueles aplicativos inúteis do Facebook, mas dessa vez me senti tentado a participar. "My Year in Status", como o próprio nome sugere, faz uma triagem aleatória das frases publicadas lá no perfil da rede social nos últimos meses, e junta tudo em um texto no mínimo improvável. Clique na imagem abaixo e veja um pouco do que eu andei postando por lá...

... E não é que o ano passou e eu nem vi?!?
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Enquanto isso lá no Twitter...
Dia 11/12, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, será lançado um livro com os minicontos enviados para o concurso #ETCBIENAL. Os três que enviei estarão no projeto.
Um pouco de crossmedia
A casa era grande, o coração também, ambos vazios. Decidiu que era hora de jogar tudo no chão. O espaço um dia seria preenchido por emoções. (30/11/2010)
***
A história de um anão não deve ser contada pela metade. A de um albino não precisa passar em branco e a de um negro não tem de ser uma escuridão. Preconceitos idiotas não estão com nada! Gays não precisam necessariamente ser promíscuos, divertidos ou afetados, mas PODEM SER (assim mesmo em negrito e CAPS LOCK)!!! Não pelo que os outros acreditam e sim por aquilo que querem ser. É o que chamam de "opção". (09/12/2010)
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
Sozinha
Antes: Confusa
Que mentira aquele trecho da música do Kid Abelha que diz que "a solidão do amor é uma solidão tão boa", que "quem ama, ama o amor e não outra pessoa". O medo de ficar sozinha no escuro, que eu tinha quando criança, correspondia, na minha fase atual, ao receio de nunca mais voltar a sentir um arrebatamento por dentro. Como eu poderia voltar a viver sem aquele tipo de amor?
Eu cresci acreditando apenas no amor materno. Não conheci meu pai, não tive irmãos, nunca cheguei a amar minhas amigas. Alguns namorados me distraíram em alguns momentos, mas nada demais. E só. Nada disso me incomodava até o dia em que eu o conheci. Por ser diferente de todas as outras abordagens, de todos os outros beijos, de todas as outras transas, de todos os outros romances, namoros, eu entendi que aquele sentimento era necessário e vital. Foi rápido. Exagerado. Profundo. "E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida", me vi amando sem medidas.
Eu cresci acreditando apenas no amor materno. Não conheci meu pai, não tive irmãos, nunca cheguei a amar minhas amigas. Alguns namorados me distraíram em alguns momentos, mas nada demais. E só. Nada disso me incomodava até o dia em que eu o conheci. Por ser diferente de todas as outras abordagens, de todos os outros beijos, de todas as outras transas, de todos os outros romances, namoros, eu entendi que aquele sentimento era necessário e vital. Foi rápido. Exagerado. Profundo. "E eu que pensava que não ia me apaixonar nunca mais na vida", me vi amando sem medidas.
Talvez pela ausência de um pai, de irmãos, de amigas, encontrei nele tudo o que sempre precisei. Sabe quando alguém completa todas as lacunas que existem na sua vida, naturalmente sem forçar a barra? Hoje sei que isso não é nada bom. Nem um pouco! É melhor mesmo sentir-se atraída pelo oposto como reza a lenda e viver tentando achar pontos de afinidade. Ele era tão igual, tão viciante...
Outro dia fui pega em flagrante discutindo comigo mesma. Até três semanas atrás ninguém tinha notado que isso é um velho e estranho hábito, que cultivo desde quando aprendi as primeiras palavras. Foi o suficiente para alarmar a minha mãe, sinal suficiente para que ela tivesse a certeza absoluta de que eu não estou bem, que talvez esteja ficando louca.
Agora me vejo aqui, meio louca e muito dependente de todas as lembranças do que vivi. "Qual o sentido da felicidade? Será mesmo preciso ficar só para se viver?"
Falaram que um terapeuta me ajudaria a responder essas questões. Mais: que sessões me fariam superá-las e, assim, evoluir como ser humano. Que após tudo, eu estaria preparada para seguir em frente e viver um novo amor. Como se eu precisasse ou quisesse. Sozinha, estremeci só de imaginar passar por tudo aquilo de novo.
Outro dia fui pega em flagrante discutindo comigo mesma. Até três semanas atrás ninguém tinha notado que isso é um velho e estranho hábito, que cultivo desde quando aprendi as primeiras palavras. Foi o suficiente para alarmar a minha mãe, sinal suficiente para que ela tivesse a certeza absoluta de que eu não estou bem, que talvez esteja ficando louca.
Agora me vejo aqui, meio louca e muito dependente de todas as lembranças do que vivi. "Qual o sentido da felicidade? Será mesmo preciso ficar só para se viver?"
Falaram que um terapeuta me ajudaria a responder essas questões. Mais: que sessões me fariam superá-las e, assim, evoluir como ser humano. Que após tudo, eu estaria preparada para seguir em frente e viver um novo amor. Como se eu precisasse ou quisesse. Sozinha, estremeci só de imaginar passar por tudo aquilo de novo.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Já falei que sou sortudo?
Antes: O estepe da Cléo
Certo. Deu tudo certo e eu soube me virar! Incrível como as coisas simplesmente acontecem. Posso dizer que sou um cara de sorte. Comigo é assim: um simples estalo (TIC) e tudo muda de repente. Para melhor, é claro! Não que eu tenha trocado o pneu naquela noite. Eu precisava, é verdade... E até poderia se DE FATO quisesse. Sabiamente percebi que algumas pessoas não nascem, necessariamente, com habilidades para desempenhar certos papeis. Que culpa eu tenho se não tenho aptidão para mecânico? Se nunca sonhei em ter uma borracharia? E que jamais precisei pisar em uma oficina?
Cléo apareceu em meu socorro, com olhar aflito e arrependido. Ok, o arrependido é por minha conta, mas eu a conheço e sei muito bem como interpretar a sua fisionomia. Talvez ela se sentisse culpada também. “Bem feito”, pensei sentado em meio a uma vasta vegetação que crescia rente ao fim do asfalto enquanto observava a destreza com que ela encaixou o macaco, desenroscou as porcas e projetou o corpo para trás retirando a roda murcha. Ela transpirava eficiência, com absoluta segurança sem nem ao menos consultar o manual! Estranho que nunca tenhamos conversado sobre isso... Me dei conta de que, até então, não sabia que ela possuía mais essa habilidade. Quando foi que aprendeu? Com quem? Senti uma fagulha de ciúme se acendendo no barril de pólvora que existe em mim. Rápido, precisava me concentrar em outra coisa. Vejamos... Meu Deus, como ela estava sexy! Como o seu corpo estava torneado! Que peito, que coxas, que bunda...
Tentei ajudar. Mentira. Na realidade, INSISTI umas duas ou três vezes, mas ela apenas resmungou que não. Quando um não quer dois não brigam, não é verdade? E Cléo é muito geniosa, o que, de certo modo, aumentava ainda mais o meu tesão por ela naquelas circunstâncias. Que tal se arrancássemos as nossas roupas e transássemos ali mesmo, em cima do capô? Pensei em sugerir. Assumo que adoro um sexo de reconciliação e somado à adrenalina daquela noite escura, no meio de uma estrada semi-abandonada... Uau! Seria qualquer coisa entre apoteótico e aventureiro...
sábado, 23 de outubro de 2010
Em menos de 140 caracteres
Três minicontos publicados no meu Twitter:
O menino chegou e se sentiu pequeno diante de toda aquela grandiosidade, mas saiu de lá um gigante, preenchido por palavras.
----------------
"Não te criei para isso", esbravejou sem sucesso. Decidida, a filha caminhou em direção ao seu triste destino.
----------------
Tick-tock Tick-tock ... Brrr! A...a...atchim...a...a..ahchoo! Argh! Baruuum! Pim ping plim plic... Ufa! Zzz!! Snore ron ronc!
O menino chegou e se sentiu pequeno diante de toda aquela grandiosidade, mas saiu de lá um gigante, preenchido por palavras.
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"Não te criei para isso", esbravejou sem sucesso. Decidida, a filha caminhou em direção ao seu triste destino.
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Tick-tock Tick-tock ... Brrr! A...a...atchim...a...a..ahchoo! Argh! Baruuum! Pim ping plim plic... Ufa! Zzz!! Snore ron ronc!
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Confusa
Sabe quando sobe um frio na barriga, a respiração falha, o coração dispara, o corpo se aquece - depois se esfria rapidamente - e o chão desaparece sob os seus pés? Foi assim ontem.
Ainda não me acostumei, não assimilei a ideia de que tudo mudou e, com lágrimas nos olhos, assumo que não estou preparada para viver sem ele. Tenho que ser forte nesse ponto. Foi tudo de repente, sem aviso, uma surpresa. A pior notícia que poderia chegar pela manhã. Atendi o telefone e uma voz, sem piedade, soltou palavras que meu cérebro custou a compreender.
Eu teria de me habituar a viver sem ele. Por quê? Eu me perguntava e sabia que ninguém, jamais, daria uma resposta plausível. Nada, nunca mais, de jantares românticos, declarações apaixonadas, beijos calorosos... Como acreditar que eu poderia amar novamente? Impossível.
E aí, de repente, ontem. Entendam, não estou sendo dramática! Há meses estabeleceu-se o silêncio absoluto e eu fingia acreditar que um dia superaria, que toda aquela dor que me consumia iria embora para sempre com ele. E sem nenhuma explicação ali estava ele, online de novo, bem na minha frente, na tela do meu MSN. "Impossível", repeti para mim mesma, mas não consegui controlar a minha emoção e veio tudo: o frio na barriga, a falta de ar, o coração disparado, a sensação febril e aquele vácuo no chão.
Entendam, não estou sendo exagerada. Marcos morreu de um AVC em janeiro, o que tornaria impossível a sua presença no mundo virtual, não? Óbvio que sim, tentei me convencer, mas não resisti até clicar sobre o seu nome e puxar assunto. Senti toda dor, de novo, quando Murilo revelou-se. Disse que tinha descoberto a senha do email do irmão e estava ali com uma única missão: encerrar de uma vez por todas aquela conta. Só aí me dei conta de que eu mesma não havia deletado Marcos da minha lista de contatos.
Ainda não me acostumei, não assimilei a ideia de que tudo mudou e, com lágrimas nos olhos, assumo que não estou preparada para viver sem ele. Tenho que ser forte nesse ponto. Foi tudo de repente, sem aviso, uma surpresa. A pior notícia que poderia chegar pela manhã. Atendi o telefone e uma voz, sem piedade, soltou palavras que meu cérebro custou a compreender.
Eu teria de me habituar a viver sem ele. Por quê? Eu me perguntava e sabia que ninguém, jamais, daria uma resposta plausível. Nada, nunca mais, de jantares românticos, declarações apaixonadas, beijos calorosos... Como acreditar que eu poderia amar novamente? Impossível.
E aí, de repente, ontem. Entendam, não estou sendo dramática! Há meses estabeleceu-se o silêncio absoluto e eu fingia acreditar que um dia superaria, que toda aquela dor que me consumia iria embora para sempre com ele. E sem nenhuma explicação ali estava ele, online de novo, bem na minha frente, na tela do meu MSN. "Impossível", repeti para mim mesma, mas não consegui controlar a minha emoção e veio tudo: o frio na barriga, a falta de ar, o coração disparado, a sensação febril e aquele vácuo no chão.
Entendam, não estou sendo exagerada. Marcos morreu de um AVC em janeiro, o que tornaria impossível a sua presença no mundo virtual, não? Óbvio que sim, tentei me convencer, mas não resisti até clicar sobre o seu nome e puxar assunto. Senti toda dor, de novo, quando Murilo revelou-se. Disse que tinha descoberto a senha do email do irmão e estava ali com uma única missão: encerrar de uma vez por todas aquela conta. Só aí me dei conta de que eu mesma não havia deletado Marcos da minha lista de contatos.
Sim, eu tinha a esperança...
terça-feira, 5 de outubro de 2010
O estepe da Cléo
Tudo certo. Não vou me desesperar. Li o manual e posso consultá-lo de novo, agora mesmo, apesar da falta de luz da madrugada. Sou um cara esperto, descolado e meio autodidata. Em todo o caso, não importa essa escuridão toda: posso ligar o farol e aproveitar a luz das lanternas para reler tudo atenciosamente! O nome disso é "saber se virar". Saco... não consigo me concentrar! Quem é que escreveu essa merda?
Talvez não seja necessário seguir passo a passo aquelas dez etapas. Sério, não pode ser tão dificil assim trocar uma roda! Afinal, qual a complicação em desenroscar algumas porcas e enroscá-las de novo? Sou homem e isso não deve ser nenhum problema para mim. Sabe como é... a gente nasce sabendo fazer essas coisas, não?
Não. Para começar demoro meia hora para achar o estepe. A culpa não é minha! Onde já se viu escondê-lo debaixo do carro? Desde que eu me entendo por gente - e via meu pai trocando pneus (Ok, não foram muitas vezes... talvez umas duas? Três? Sei lá... não lembro) - o reserva ficava no porta-malas, embaixo do carpete. Super simples de retirar, inclusive. No modelo do meu carro, tudo diferente e eu me pergunto porquê... Mais: por que não me importei com isso quando fui comprá-lo? Ah é... ganhei ele de presente no natal passado.
Pneu no chão, ferramentas nas mãos. Torço para que um carro passe e me socorra, mas os poucos que circulam por ali simplesmente ignoram os sinais D-E-S-E-S-P-E-R-A-D-O-S que faço com os braços. Comecei com um tchauzinho. Não deu certo. Levantei o braço para o segundo automóvel... em vão, também. No quinto, perdi a vergonha e sacudi o mais alto que pude, gritando "Pareeeee" descontroladamente. Eu teria parado... JURO que teria! Enfim, não dá mesmo para esperar um pouco de solidariedade hoje em dia. Ainda mais de madrugada.
Bom, só me resta arregaçar as mangas e trocá-lo. Se eu tivesse atrasado cinco minutos, talvez errasse o buraco e tudo isso não estaria acontecendo. Se eu não tivesse brigado feio com a Cléo e saído no meio da noite só por ter lido aquele estranho SMS do tal do Beto. Pensando agora, assim, friamente, não significa nada receber um torpedo no meio da noite, não é mesmo? E Beto pode mesmo ser um colega da faculdade... E "Pode falar? Beijão, Beto" não insinua necessariamente um caso, ou insinua?!?
Deveria ter acreditado no que ela disse. Não a parte final, quando partimos para as ofensas e ela me mandou embora, gritando para quem quisesse ouvir que eu não presto para nada, que sou um filhinho de papai, mimado. Piranha! É, essa parte não conta, porque ela falou no calor do momento, sem pensar. Afinal, ela seria uma idiota se namorasse um cara assim! Sou meio chato, ciumento e gosto tudo do meu jeito, mas filhinho de papai e mimado é BASTANTE exagerado. Eu trabalho, poxa! Na empresa do meu pai, está certo, mas não fico o dia inteiro em casa "curtindo" como ela disse.
Foco: preciso trocar o pneu. Não quero, mas não tenho muita escolha! Se eu pelo menos não tivesse jogado o celular contra a parede, demonstrando toda a ira que me consumia, já teria acionado o seguro, ou ligado para o meu pai, ou pedido perdão a Cléo por todos adjetivinhos que soltei sem querer. Ela é muito sensível, leva tudo a sério. Okay, eu devo ter pegado pesado, ou melhor, BEM pesado com uma ou outra palavra, mas convenhamos, eu seria uma idiota se namorasse uma garota assim, não?
Talvez não seja necessário seguir passo a passo aquelas dez etapas. Sério, não pode ser tão dificil assim trocar uma roda! Afinal, qual a complicação em desenroscar algumas porcas e enroscá-las de novo? Sou homem e isso não deve ser nenhum problema para mim. Sabe como é... a gente nasce sabendo fazer essas coisas, não?
Não. Para começar demoro meia hora para achar o estepe. A culpa não é minha! Onde já se viu escondê-lo debaixo do carro? Desde que eu me entendo por gente - e via meu pai trocando pneus (Ok, não foram muitas vezes... talvez umas duas? Três? Sei lá... não lembro) - o reserva ficava no porta-malas, embaixo do carpete. Super simples de retirar, inclusive. No modelo do meu carro, tudo diferente e eu me pergunto porquê... Mais: por que não me importei com isso quando fui comprá-lo? Ah é... ganhei ele de presente no natal passado.
Pneu no chão, ferramentas nas mãos. Torço para que um carro passe e me socorra, mas os poucos que circulam por ali simplesmente ignoram os sinais D-E-S-E-S-P-E-R-A-D-O-S que faço com os braços. Comecei com um tchauzinho. Não deu certo. Levantei o braço para o segundo automóvel... em vão, também. No quinto, perdi a vergonha e sacudi o mais alto que pude, gritando "Pareeeee" descontroladamente. Eu teria parado... JURO que teria! Enfim, não dá mesmo para esperar um pouco de solidariedade hoje em dia. Ainda mais de madrugada.
Bom, só me resta arregaçar as mangas e trocá-lo. Se eu tivesse atrasado cinco minutos, talvez errasse o buraco e tudo isso não estaria acontecendo. Se eu não tivesse brigado feio com a Cléo e saído no meio da noite só por ter lido aquele estranho SMS do tal do Beto. Pensando agora, assim, friamente, não significa nada receber um torpedo no meio da noite, não é mesmo? E Beto pode mesmo ser um colega da faculdade... E "Pode falar? Beijão, Beto" não insinua necessariamente um caso, ou insinua?!?
Deveria ter acreditado no que ela disse. Não a parte final, quando partimos para as ofensas e ela me mandou embora, gritando para quem quisesse ouvir que eu não presto para nada, que sou um filhinho de papai, mimado. Piranha! É, essa parte não conta, porque ela falou no calor do momento, sem pensar. Afinal, ela seria uma idiota se namorasse um cara assim! Sou meio chato, ciumento e gosto tudo do meu jeito, mas filhinho de papai e mimado é BASTANTE exagerado. Eu trabalho, poxa! Na empresa do meu pai, está certo, mas não fico o dia inteiro em casa "curtindo" como ela disse.
Foco: preciso trocar o pneu. Não quero, mas não tenho muita escolha! Se eu pelo menos não tivesse jogado o celular contra a parede, demonstrando toda a ira que me consumia, já teria acionado o seguro, ou ligado para o meu pai, ou pedido perdão a Cléo por todos adjetivinhos que soltei sem querer. Ela é muito sensível, leva tudo a sério. Okay, eu devo ter pegado pesado, ou melhor, BEM pesado com uma ou outra palavra, mas convenhamos, eu seria uma idiota se namorasse uma garota assim, não?
Quem desenhou, aqui
sábado, 2 de outubro de 2010
O mago está de volta
Infelizmente!
O fato é: não lia nada tão chato desde "A Cabana". Eu, de verdade, não ligo a mínima para a busca/recomeço/ou seja lá o quê que move Paulo Coelho na jornada das 253 enfadonhas páginas de "O Aleph". Só queria saber se ele cita Glória Maria e a matéria exibida pelo Fantástico em 22/10/2006 (Veja aqui). Quer saber? Preferia sentir saudade a um reencontro como esse.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
O lugar predileto de Theo e Nana
Falaram que no início de tudo era o verbo, e este se fez carne. Criar! Transformar! Talvez, “existir”! Automaticamente, uma imposição, uma submissa e calada obediência, o tempo, os dias, o tédio, o orgasmo e, por fim, a condenação. A ordem clara violada era SER, e não DIVERTIR-SE! Que ousadia a daqueles humanos!
De uma foda veio toda a esculhambação mundana: o apogeu e queda de Sodoma e Gomorra, os famosos bacanais da Roma Antiga e, muito tempo depois, as casas de swing, uma das quais veio a se tornar “o lugar predileto de Theo e Nana” – talvez o casal mais descolado da cidade.
Theo amava Nana, mas desejava Ana, Fábia, Thereza, Ângela, Carla,... Nana também amava Theo, mas gostava de ser tocada por outros homens. Um dia chegaram a conclusão de que não adiantava continuar enganando um ao outro. Se trair parecia um caminho natural, porque não incorporar a poligamia à relação? Assim, mergulharam de cabeça em suas aventuras, sem esquecer de que juntos eram mais fortes, cúmplices de segredos inconfessáveis. Tinham um ao outro como apoio para os dias em que o “clube” não abrisse as portas.
Uma noite normal. Nana, barba, cabelo e bigode. Insaciável! Mas toda a segurança e estabilidade do casal acabou no exato instante em que Zé, um velho conhecido, fodeu o rabo de Nana. Não pela iniciativa, não pela região em si. Não era a primeira vez, muito menos a última, em que fazia isso, mas talvez fosse de fato a primeira vez em que ela sentiu prazer com a penetração. Aquilo irritou Theo, que não conseguiu lidar com o esplendor da excitação de Nana. Tentou vencer Zé, por uma questão de honra, no início com movimentos que considerava precisos, depois com estocadas violentas, manifestações exatas do ciúme que o consumia. Nana se machucou... para sempre! Não por culpa da enrabada, e sim por causa da desconfiança que se estabeleceu a partir de então. A ordem clara violada era divertir, e não ser! Que ousadia a dos dois.
De uma foda veio toda a esculhambação mundana: o apogeu e queda de Sodoma e Gomorra, os famosos bacanais da Roma Antiga e, muito tempo depois, as casas de swing, uma das quais veio a se tornar “o lugar predileto de Theo e Nana” – talvez o casal mais descolado da cidade.
Theo amava Nana, mas desejava Ana, Fábia, Thereza, Ângela, Carla,... Nana também amava Theo, mas gostava de ser tocada por outros homens. Um dia chegaram a conclusão de que não adiantava continuar enganando um ao outro. Se trair parecia um caminho natural, porque não incorporar a poligamia à relação? Assim, mergulharam de cabeça em suas aventuras, sem esquecer de que juntos eram mais fortes, cúmplices de segredos inconfessáveis. Tinham um ao outro como apoio para os dias em que o “clube” não abrisse as portas.
Uma noite normal. Nana, barba, cabelo e bigode. Insaciável! Mas toda a segurança e estabilidade do casal acabou no exato instante em que Zé, um velho conhecido, fodeu o rabo de Nana. Não pela iniciativa, não pela região em si. Não era a primeira vez, muito menos a última, em que fazia isso, mas talvez fosse de fato a primeira vez em que ela sentiu prazer com a penetração. Aquilo irritou Theo, que não conseguiu lidar com o esplendor da excitação de Nana. Tentou vencer Zé, por uma questão de honra, no início com movimentos que considerava precisos, depois com estocadas violentas, manifestações exatas do ciúme que o consumia. Nana se machucou... para sempre! Não por culpa da enrabada, e sim por causa da desconfiança que se estabeleceu a partir de então. A ordem clara violada era divertir, e não ser! Que ousadia a dos dois.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
PA-LHA-ÇA-DA
Hora do intervalo em toda a putaria que se estabeleceu nesse espaço. O assunto é sério, ou engraçado, sei lá! A sacanagem, ou a falta de vergonha na cara de certos candidatos do horário eleitoral, é o tema de minha entrega de hoje.
Não por menos (ele merece, convenhamos), a bola da vez e vedete do período eleitoral é o humorista/palhaço Tiririca, com candidatura tão esquisita quanto a dos cantores do KLB; a da “curvilínea” mulher pêra; do ladrão de vasos de cemitério – e também estilista, apresentador e cantor – Ronaldo Esper; do agressor de mulheres – e cantor e apresentador – Netinho, do pugilista Maguila; ou ainda a drag queen travestida de Marylin Monroe com sobrenome de bebida alcoólica e língua presa, Salete Campari. Veja o copilado de vídeos aqui.
O fato é que, segundo a Folha de São Paulo, Tiririca pode chegar a 900 mil votos e se tornar o deputado federal mais votado de todo o país! O que explica esse sucesso?
Suspeito que a maioria desses eleitores não está interessada em propostas (ele tem alguma?), uma vez que a campanha do candidato utiliza-se do slogan “pior que tá não fica”, e no comercial diz sem pudor que não sabe o que um deputado faz. Tudo muito honesto, sem floreios.
Parte do sucesso da campanha de Tiririca se vale do próprio sistema em que estamos inseridos. De dois em dois anos todos os brasileiros se vêem obrigados a votar, muitas vezes sem o discernimento mínimo das competências de vereadores, deputados estaduais, federais e senadores. Roubam? Desviam? Mentem? Ok, tudo bem... e o quê mais?
Brasileiros comparecem em massa as urnas, sem entender a importância do ato cívico e como aquilo pode impactar diretamente o seu futuro. Isso quando são capazes de lembrar o nome e o partido dos políticos votados! “Cobrar? Para quê?!? Não vai dar em nada mesmo!”. Somam-se ainda os inúmeros casos de corrupção, as incontáveis promessas esquecidas, os projetos fascinantes engavetados...
Tiririca representa para todas essas pessoas uma resposta: pior do que está não fica. Se tudo é uma zona ou um circo, vamos pelo menos rir um pouco. A sua alta popularidade é uma reação a todos os casos explícitos de corrupção que nos fizeram acreditar que tudo não passa de uma grande palhaçada, uma verdadeira piada. O porém, agora, é a troca das peças, a inversão dos papéis: o povo mostra de quem quer rir e coloca de uma vez por todas o nome nos bois. Faz sentido.
Mais: ao contrário dos outros, Tiririca é o único que diz a verdade a sua audiência. Ele não vai melhorar a segurança pública, construir postos de saúde, priorizar a educação e toda aquela balela de sempre. Com ele, Brasília não ficará melhor, mas tampouco piorará. Ele não sabe o que fará e, por isso, não promete nada. Melhor assim.
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